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Gonçalo Neves · Porto · revisto a 21/09/2026 · [email protected]

Legacy – The Lost Pyramid HD: a pirâmide refeita de raiz

Legacy – The Lost Pyramid HD é, dos cinco jogos de escape egípcios que comparei, o único sem anúncios e sem compras na app, e o único que dá à fuga uma razão: encontrar um irmão perdido dentro da pirâmide.

Um remake que ninguém pediu e que faz sentido

A ficha abre com letras maiúsculas e asteriscos: o jogo inteiro foi refeito. Em quase todas as lojas este tipo de anúncio é ruído, uma forma de voltar a aparecer nas listas de novidades. Aqui a lista do que mudou é concreta e toca no que importa num jogo de escape: novas formas de interagir com objetos e com o cenário, melhor desempenho, texturas em maior resolução e sombreamento revisto.

Num género em que tudo depende de reparar numa inscrição meio apagada ou numa pedra ligeiramente saliente, a resolução das texturas deixa de ser cosmética. Se o jogador não consegue distinguir um relevo de uma mancha, o enigma não é difícil, é ilegível. Refazer o jogo para o tornar mais nítido é, deste ponto de vista, trabalho de design e não de marketing.

Se não se distingue um relevo de uma mancha, o enigma não é difícil: é ilegível.

A premissa é simples e funciona. Somos um arqueólogo que procura o irmão desaparecido numa pirâmide antiga, e cada enigma resolvido revela uma pista que empurra para a sala seguinte. Não é uma história de muitas personagens, e nem precisa de ser: basta para que abrir uma porta signifique avançar em algo, e não apenas passar ao ecrã número 14.

Há quem diga que um jogo de escape dispensa enredo, que o prazer está todo no clique certo. Discordo em parte. O enredo não resolve enigmas, mas dá peso às salas, e é por isso que quem termina um jogo destes se lembra da pirâmide e não da lista de níveis.

Primeira captura de Legacy – The Lost Pyramid HD publicada pelo estúdio
Captura: Legacy – The Lost Pyramid HD, No Signal Productions / Google Play

O que a ficha promete, ponto a ponto

  • InteraçãoNovas formas de mexer em objetos e no ambiente. É a mudança que mais altera o jogo, porque muda o que se pode tentar numa sala.
  • ImagemGráficos melhores, texturas em maior resolução, sombreamento melhorado.
  • DesempenhoMelhor desempenho declarado, sem números. Não medi fotogramas e não vou inventá-los.
  • PuzzlesEnigmas 3D desafiantes que dão pistas para a sala seguinte.
  • Última notaA entrada «o que há de novo» diz apenas «pequena correção» (minor fix).

Um pormenor que raramente se vê: a própria descrição da loja aponta para um vídeo de solução completa no YouTube e para outro com as versões antigas. Um estúdio que publica o passo a passo na ficha está a admitir que alguns enigmas vão prender pessoas. Prefiro essa franqueza a um botão de «pista» pago.

Quando abrir o vídeo de solução

Ter a solução a um toque de distância é uma tentação perigosa. O meu conselho é simples: só abrir o vídeo depois de ter passado por cada objeto da sala duas vezes e de ter escrito num papel os símbolos que se repetem. Se mesmo assim nada encaixa, ver apenas os segundos da sala onde se está e fechar logo a seguir. Escrevi um método mais completo para sair de um túmulo sem pedir pistas, com os passos por ordem.

Um limite desta análise: não sei quantas salas tem o jogo depois do remake, porque a ficha não diz e eu não contei. Prefiro deixar a lacuna à vista do que pôr um número que ninguém pode confirmar.

Terceira captura de Legacy – The Lost Pyramid HD, versão refeita
Captura: Legacy – The Lost Pyramid HD, No Signal Productions / Google Play

Para quem é

Para quem quer um jogo de escape inteiro, sem interrupções pagas, e aceita ficar preso de vez em quando. Com PEGI 3 e sem anúncios, é também o mais fácil de pôr no telemóvel de uma criança sem vigiar cada ecrã.